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Piauí Meu Amor: A Jornada
9 Capítulos

Piauí Meu Amor: A Jornada

Conheça a história do Piauí Meu Amor, de Whindersson Nunes aos contratos governamentais, e receba 10 dicas práticas.

Capítulo 01 de 09

Introdução: Muito Mais que um Perfil, Uma Comunidade

Seja muito bem-vindo aos bastidores do Piauí Meu Amor. Se você está com este livro em mãos, é muito provável que você já faça parte da nossa comunidade. Talvez você seja um fã que já riu com as nossas postagens, já se emocionou com as paisagens do nosso estado, ou talvez seja alguém com muita vontade de começar o próprio projeto na internet e quer entender como tudo isso foi construído.

Seja qual for o seu motivo, sinta-se em casa. Puxe uma cadeira, pegue um copo de cajuína bem gelada e vamos conversar.

Eu sou o Gláuber. Tenho 37 anos, sou teresinense de corpo e alma, mas carrego em mim um pouco do norte e um pouco do sul do Estado. Sou filho da Claudináia, que traz consigo a força de Pedro II, e do Paulo, com as raízes firmes de Picos. Essa mistura de norte e sul não é apenas a minha origem; é a base de tudo o que eu acredito e do orgulho que sinto em ser piauiense.

A minha vida foi inicialmente moldada pelas salas de aula da UESPI, onde me formei em Direito. Durante mais de dez anos, a advocacia, os processos judiciais e a rotina dos tribunais foram o meu mundo. Mas, por trás do terno e da gravata, eu sempre tive uma inquietação criativa que precisava transbordar.

Foi apostando nessa criatividade que eu saí dos bastidores de uma página de humor no Facebook para me tornar o rosto de um dos maiores projetos de valorização turística e cultural do nosso estado. Foi gravando, errando, recalibrando a rota e entendendo a força das pessoas que a minha paixão virou um negócio real. Uma trajetória que envolveu desde fechar as primeiras parcerias de camisetas com o Whindersson Nunes, lá no comecinho de tudo, até sentar à mesa com gestores públicos para aprovar documentários grandiosos em leis de incentivo estaduais.

Nestas páginas, eu decidi abrir a nossa caixa-preta.

Na primeira metade deste livro, eu vou te contar a nossa história. Você vai entender como o Piauí Meu Amor nasceu, os tropeços engraçados e dolorosos do caminho, e as histórias que fazem todo esse esforço valer a pena. É a minha forma de agradecer a você, que nos acompanha e curte o nosso trabalho.

Mas não vamos parar por aí. Na segunda metade, nós vamos arregaçar as mangas. Preparei 10 Dicas Práticas e atualizadas para os dias de hoje para você que quer saber como iniciar um projeto de sucesso nas redes sociais. Vou te mostrar como perder a vergonha de gravar, como não depender de equipamentos caros, como usar ferramentas para automatizar seu trabalho e como dar os primeiros passos para transformar as suas ideias em realidade, mesmo que você esteja começando do zero absoluto.

A minha intenção não é ditar regras. É compartilhar cicatrizes e aprendizados para provar que a internet democratizou o sucesso, e que o celular que você tem na mão é a ferramenta mais poderosa do mundo para quem tem coragem de ser autêntico.

Muito obrigado por fazer parte dessa história. Boa leitura e bora pra cima!

Capítulo 02
Capítulo 02 de 09

Capítulo 1: A Semente

Se você esbarrasse comigo pelas ruas quentes de Teresina lá pelo ano de 2010, veria um jovem recém-formado em Direito pela UESPI. Naquela época, a advocacia era a minha realidade de segunda a sexta. Eu vestia a camisa da profissão, lidava com processos e prazos, mas a minha cabeça sempre orbitava em outra galáxia. O mundo jurídico é engessado por natureza, e eu sempre tive uma energia criativa que precisava transbordar de alguma forma.

Desde os tempos de ouro do Orkut, eu já era fascinado por criar comunidades, montar blogs e desenhar. A internet era o meu respiro criativo. E foi justamente essa paixão paralela que plantou a semente de tudo o que o Piauí Meu Amor viria a ser. Mas a história não começou com um plano de negócios genial. Começou de um jeito quase cômico no Facebook, em 2012.

Recebi um convite inusitado para administrar uma Fan Page que tinha acabado de nascer, chamada "No Piauí É Assim". O grande toque de ironia dessa história é que a mente por trás de uma página focada em enaltecer o nosso estado não era piauiense. Era uma gaúcha. Ela havia se mudado para Teresina para estudar e, sentindo falta da dinâmica de uma página famosa chamada "No Rio Grande é Assim", percebeu que o Piauí era um prato cheio para o mesmo formato.

Como eu levava jeito com desenhos e conseguia criar tirinhas digitais traduzindo o nosso humor e as nossas expressões, fui chamado para compor a equipe de administradores e criar conteúdo.

Nós mergulhamos de cabeça naquilo. Durante uns quatro anos, o projeto foi um sucesso estrondoso. Virilizávamos com frequência, dávamos entrevistas e a página não parava de crescer. Só que a vida acontece. Aos poucos, o trabalho em equipe foi se desfazendo, as prioridades das pessoas mudaram e eu me vi na posição de único administrador ativo, remando sozinho. Com muita constância diária, levei a página a ultrapassar a marca de 300 mil curtidas no Facebook.

Foi nesse auge que a pulga atrás da orelha começou a incomodar de verdade. A página era gigante, o público era incrível, mas o terreno não era meu. Eu não tinha criado aquilo do zero. A qualquer momento, as chaves daquela "casa digital" poderiam ser tomadas de mim.

Movido por um instinto de sobrevivência e empreendedorismo, decidi começar algo 100% meu. Foi assim que, por volta de 2015, o Piauí Meu Amor respirou pela primeira vez. Inicialmente, era apenas uma página no Facebook. Eu levava uma vida dupla na internet, alimentando a página gigantesca que não era minha e regando a minha sementinha recém-plantada. O Instagram ainda estava engatinhando no Brasil e não tinha nem sombra da força que possui hoje.

Até que o dia que eu tanto temia finalmente bateu à porta. A criadora original da página antiga me chamou para uma conversa e soltou a bomba: ela havia vendido a página para outra pessoa. Tudo o que eu havia construído com tanto suor mudaria de mãos, e a minha única opção era aceitar.

Porém, a internet tem caminhos misteriosos. Como uma espécie de "prêmio de consolação" por todos os anos de dedicação gratuita, a fundadora me deixou ficar com a conta oficial do projeto no Instagram, que na época ainda era bem modesta. Mal sabia ela que aquele seria o maior presente da minha jornada.

Peguei aquele pequeno perfil no Instagram, mudei o nome e unifiquei com a identidade do projeto que eu já vinha construindo no Facebook. O que parecia o fim amargo de um ciclo foi, na verdade, o foguete que precisava ser aceso. O Piauí Meu Amor nascia ali com força total. Uma reviravolta que me conectaria com milhares de corações piauienses e me faria viver histórias surreais.

O grande estalo que essa fase me trouxe foi entender a diferença entre construir um castelo na areia e construir algo com alicerce próprio. Dedicar anos da minha energia a um projeto que não estava no meu nome foi uma escola fantástica de criação de conteúdo, mas quase me custou todo o meu público. O momento em que perdi o acesso à página de 300 mil seguidores foi doloroso, mas foi o combustível exato que eu precisava para assumir o protagonismo da minha própria história na internet.

Lições Práticas

Para você que está lendo isso e quer começar a criar conteúdo ou dar visibilidade ao seu negócio, leve essas três lições do meu tropeço inicial:

  1. Não construa sua casa em terreno alugado: Depender de um projeto onde você não tem o controle total é um risco gigante. Tenha o seu próprio nome forte e seja dono da sua marca.

  2. Comece com as ferramentas de hoje: Eu não esperei ter o Instagram estourado para agir. Usei o Facebook , apostei nas tirinhas que eu sabia desenhar e coloquei minha criatividade para rodar. Apenas comece.

  3. Abrace os recomeços disfarçados: Um projeto deu errado? Um ciclo fechou? Pegue a experiência, os contatos ou até mesmo aquele "perfil de consolação" que sobrou e use como trampolim para o seu próximo grande salto.


Capítulo 03
Capítulo 03 de 09

Capítulo 2: A Parceria com whindersson

O ano era 2013, e a fanpage No Piauí É Assim estava no seu auge de viralização. Nossa cultura estava ganhando a tela de milhares de pessoas diariamente. Foi no meio desse furacão de engajamento que, um dia, fui checar as mensagens e me deparei com os vídeos de um garoto de uns 16 anos.

O cenário que ele usava para gravar não tinha ring light, estúdio acústico ou câmera de cinema. Era apenas uma parede simples, que parecia muito com o fundo rebocado de uma escola. Mas o que faltava em superprodução, sobrava em genialidade. Ele gravava vídeos curtos e engraçados explicando as expressões clássicas do nosso "piauiês". Eu assisti, achei aquilo absolutamente sensacional e comecei a divulgar o material dele na página. Com isso, fomos estreitando os laços e ficando mais próximos. Aquele moleque magricela era o Whindersson Nunes.

Pouco tempo depois dessas nossas primeiras interações, ele gravou a paródia "Alô Vó, tô reprovado" no YouTube e bateu a marca astronômica do seu primeiro milhão de visualizações. Whindersson já enxergava o potencial colossal da internet. Com uma coragem fora do comum para a pouca idade, ele tomou uma decisão drástica: contrariando o caminho tradicional dos estudos e vestibulares — e provavelmente deixando os pais de cabelo em pé —, ele largou tudo e veio morar em Teresina.

No começo, ele morou de favor na casa de um amigo nosso em comum da época, o Bob Nunes, do Teresina Comedian News. Ficou por lá alguns meses até conseguir se estabilizar e alugar uma kitnet, já se mantendo com os primeiros ganhos do YouTube. Mas a vida real cobra a conta, as necessidades chegavam e a grana ainda era curta.

Enquanto isso acontecia na vida dele, a minha mente empreendedora também não parava. Eu já havia testado vender camisetas com expressões engraçadas do Piauí na época do No Piauí É Assim, e a aceitação tinha sido um sucesso absoluto. Eu estava vivendo aquele exato período de transição entre os projetos. Foi aproveitando esse embalo que decidi dar um passo além: juntei forças com o meu amigo Mayhson e criamos a Cangaço. Era uma marca de roupas com pegada nordestina, carregando a mesma essência de valorização da nossa cultura que eu sempre defendi na internet.

Eu tinha o produto, o Whindersson precisava de grana e tinha o carisma. A matemática foi simples. Fechamos uma parceria e ele se tornou o garoto-propaganda oficial da Cangaço. A cada camiseta vendida com o rosto ou a divulgação dele, uma porcentagem ia direto para o seu bolso.

Ele gravou inúmeros vídeos, fez clipes vestindo nossas peças, como esse aí de cima com a camiseta "Armaria, Nam!", e a parceria foi incrível e lucrativa para todo mundo durante um bom tempo.

Obviamente, não demorou muito para que o talento dele rompesse todas as fronteiras. Ele virou um fenômeno global e ganhou o mundo. Mas a lembrança daquele garoto da parede simples, que me ajudou a impulsionar minha primeira grande marca, é a prova viva de que a internet transforma realidades.

O grande aprendizado dessa fase foi perceber que a atenção das pessoas é a moeda mais valiosa do mundo moderno. Eu já tinha a atenção da audiência na página, mas precisei conectar isso a um produto real (as camisetas da Cangaço) e a um influenciador autêntico (Whindersson) para ver a mágica do empreendedorismo digital acontecer na prática. O sucesso não veio de uma superestrutura, mas de saber conectar as peças certas na hora certa.

Lições Práticas

Se você está buscando transformar seus seguidores em clientes ou dar vida a um projeto, anote isso:

  • Aposte no talento cru, não no cenário perfeito: Assim como o Whindersson começou numa parede de escola, você não precisa de equipamentos caros para começar a produzir conteúdo. A autenticidade conecta muito mais do que a qualidade de imagem.

  • Crie parcerias de ganho mútuo: A Cangaço só deu tão certo com o Whindersson porque os dois lados ganhavam. Se você vai fazer parcerias para o seu negócio local, garanta que a proposta seja irresistível para quem está divulgando e para quem está comprando.

  • Teste sua audiência: Antes de criar uma marca inteira, eu testei vender camisetas na página de humor. Validei a ideia primeiro. Se você quer vender algo, jogue a ideia para seus seguidores antes de investir pesado em estoque. :::

Capítulo 04
Capítulo 04 de 09

Capitulo 3: A Fórmula

Enquanto os negócios começavam a engatinhar nos bastidores com a marca de camisetas, na linha de frente — ou seja, na tela dos nossos seguidores — a mágica do engajamento acontecia em uma escala impressionante. Muita gente me perguntava qual era o nosso "ingrediente secreto" para fazer as pessoas compartilharem tanto as postagens na época do No Piauí É Assim. A verdade é que o nosso "código do conteúdo" não era um truque barato, mas sim um alicerce construído sobre três pilares muito fortes.

O primeiro deles era o ineditismo. Nós fomos pioneiros. Praticamente ninguém na internet produzia conteúdo como a gente produzia sobre o Piauí naquele momento. Para melhorar, nós embalávamos toda essa exaltação regional com muito humor. E, vamos ser sinceros: poucas coisas no mundo digital são tão "compartilháveis" quanto uma boa risada que você dá por se identificar com uma situação absurda do cotidiano.

O segundo pilar era o forte sentimento de conexão e pertencimento. Quando a gente postava uma tirinha sobre uma gíria tipicamente nossa ou uma mania que todo piauiense tem, as pessoas não estavam apenas rindo; elas queriam repostar para mostrar aos amigos e ao mundo quem elas eram e de onde vinham. O botão de compartilhar virou um crachá de identidade, um grito de orgulho do nosso sotaque e do nosso jeito.

Por fim, o terceiro pilar floresceu em um segundo momento, quando passamos a explorar também postagens mais culturais e turísticas. Foi aí que consolidamos o verdadeiro sentimento de comunidade. Nossos seguidores deixaram de ser apenas espectadores e passaram a co-criar a página junto comigo. As pessoas colaboravam diretamente com os nossos conteúdos: mandavam novas expressões pelo chat, enviavam fotos de lugares deslumbrantes dos seus municípios e mostravam com orgulho as riquezas das terras delas.

O grande estalo que tive sobre a criação de conteúdo foi entender que as pessoas não compartilhavam os nossos posts apenas porque a página era criativa, mas sim porque a página falava sobre elas. Quando você para de focar apenas em emitir uma mensagem e passa a ser um espelho que reflete a identidade e a voz do seu público, a mágica acontece. Você deixa de ter uma lista de seguidores e passa a liderar uma legião de defensores apaixonados pelo que você faz.

Lições Práticas

Quer que o seu conteúdo decole e vire assunto na roda de amigos dos seus clientes ou seguidores? Aplique essa trindade do nosso código:

  • Busque o ineditismo (ou tenha a sua própria lente): Se todo mundo no seu nicho faz o mais do mesmo, mude o ângulo. Nós usamos o humor para falar de cultura. Como você pode entregar o seu trabalho ou o seu conteúdo de um jeito que ninguém mais na sua cidade está fazendo?

  • Venda pertencimento, não apenas ideias: Seu conteúdo faz a pessoa bater no peito e dizer "isso me representa"? As pessoas amam compartilhar aquilo que reafirma suas próprias crenças, origens e personalidades.

  • Transforme sua audiência em co-autora: Não tente carregar o piano sozinho. Peça fotos, histórias, expressões e opiniões do seu público. Quando as pessoas ajudam a construir o conteúdo com você, elas sentem que aquele espaço também pertence a elas — e elas nunca mais vão embora. :::

Capítulo 05
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Capítulo 4: O Maior Erro

Se eu pudesse voltar no tempo e dar um conselho para aquele Gláuber que estava lançando as primeiras camisetas e fechando as primeiras parcerias, seria este: "Acelere o seu projeto e estruture a sua base".

O meu primeiro erro nessa fase de transição foi estratégico. Como a página antiga me dava uma validação gigantesca e viralizava tudo o que eu fazia, eu acabei me acomodando um pouco. Era confortável usar a minha criatividade para manter aquela máquina girando, enquanto o meu "Plano B" andava a passos lentos nos bastidores.

Mas além dessa armadilha do conforto, a nossa primeira aventura no mundo dos produtos físicos com a Cangaço trouxe um tropeço prático que quase nos custou a sanidade. O Mayhson , meu sócio na época, era um cara de extrema boa vontade e muito talento, mas a nossa produção ainda era muito "caseira".

O problema é que a página estava altamente viralizada. Quando os vídeos do Whindersson usando nossas peças batiam milhares de visualizações, a demanda explodia. E aí veio o choque de realidade: a internet é imediata, mas a logística do mundo físico não é.

Enfrentamos sérios problemas com prazos de entrega e organização da fila de pedidos. A alta demanda, que comercialmente deveria ser um sonho, virou um pesadelo logístico. Isso criou um desgaste enorme na nossa equipe de bastidores por um bom tempo, até conseguirmos sentar, respirar e ajustar os processos para dar conta do recado.

O grande aprendizado foi que vender é apenas 50% do trabalho. Os outros 50% consistem em entregar o que você prometeu com qualidade. Um marketing viral fenomenal sem uma operação estruturada por trás é a receita certa para o esgotamento da equipe e para frustrar quem confiou na sua marca.

Lições Práticas

  • Toque o seu projeto paralelo hoje: Não deixe os números inflarem seu ego em projetos de terceiros a ponto de você atrasar a construção da sua própria esteira de produtos e autoridade.

  • Viralizar não resolve a logística: Se você vai vender produtos físicos ou serviços, tenha certeza de que a sua "cozinha" aguenta o tranco antes de fazer uma grande campanha.

  • A internet é rápida, a entrega não: Alinhe sempre as expectativas. Se a sua produção é caseira ou artesanal, seja honesto com a sua audiência. É melhor prometer um prazo maior e surpreender entregando antes do que o contrário. :::

Capítulo 06
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Capítulo 5: A Virada de Chave

Para entender como eu cheguei até aqui, você precisa entender como o mundo — e a internet — funcionava há alguns anos. Se você esbarrasse comigo em Teresina lá por 2010, veria um jovem recém-formado pela UESPI, com a cabeça afundada em processos e prazos. A advocacia era o meu chão firme. Durante mais de dez anos, advoguei ativamente, como já tinha dito.

Naquela mesma época, o Instagram estava apenas nascendo (foi lançado no final de 2010) como um aplicativo exclusivo para quem tinha iPhone, servindo basicamente para postar fotos quadradas com filtros que imitavam câmeras antigas. O gigante da época era o Facebook. Foi por isso que toda a base inicial do No Piauí É Assim e, posteriormente, do Piauí Meu Amor em 2015, foi construída lá. A gente brigava por curtidas e compartilhamentos em um algoritmo que, comparado ao de hoje, era quase inocente.

A transição de "administrador de página de humor" para "criador de conteúdo profissional" não foi um salto repentino. Foi um processo gradual, moldado tanto pelas mudanças da minha vida quanto pelas mudanças da própria internet.

A vida tem um jeito curioso de fechar ciclos. A marca de camisetas Cangaço vivia seus desafios logísticos e, de repente, as peças do tabuleiro começaram a se mover. O Whindersson, que era nosso garoto-propaganda, começou a viajar para fazer shows na região, em cidades como Caxias, e logo depois mudou-se para o Ceará para ganhar o mundo. Ao mesmo tempo, recebi um convite profissional irrecusável para advogar na cidade de Picos.

Eu me mudei. Me afastei do dia a dia físico do negócio das camisetas e deixei a operação nas mãos do Mayhson. Sem a presença do Whindersson e com a minha rotina dividida entre os tribunais em Picos e a gestão online das páginas, a ideia das camisetas foi perdendo força até adormecer (embora a gente ainda tentasse ressuscitá-la algumas vezes depois, sem a mesma tração).

Mas o Piauí Meu Amor continuava vivo no meu bolso, brilhando na tela do celular.

Foi nessa época que o Instagram começou a mudar de pele no Brasil. O aplicativo deixou de ser apenas um mural de fotos bonitas e passou a se tornar uma vitrine de negócios. Eu já havia migrado a força do projeto do Facebook para o Instagram, alcançando uma base sólida de 50 a 60 mil seguidores. Com esse público nas mãos, o mercado começou a bater à minha porta.

As primeiras "publis" surgiram de forma orgânica. Eu não tinha um media kit, não tinha uma agência e, para ser sincero, ainda estava descobrindo como precificar aquilo. As propostas vinham muito focadas no setor de turismo, o que fazia todo o sentido. Eu estava naturalmente deixando de ser apenas o cara que postava tirinhas para me tornar um curador do estado, alguém que dava dicas reais e valiosas sobre destinos e cultura piauiense. O fim da operação logística das camisetas me abriu os olhos: vender "atenção e influência" dava muito menos dor de cabeça do que embalar caixas e lidar com os Correios.

Ainda assim, as publis eram apenas um "extra" muito bem-vindo. Eu continuava sendo um advogado que tinha uma página grande.

O grande divisor de águas, a verdadeira virada de chave, aconteceu em meados de 2021. Pessoalmente, eu atravessava um momento muito difícil — uma daquelas fases que te obrigam a olhar no espelho e repensar todas as suas escolhas. Eu precisei de um recomeço. Foi no meio dessa tempestade pessoal que decidi agarrar o que realmente me fazia bem: a criação de conteúdo.

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GLÁUBER UCHÔA NEGÓCIOS DIGITAIS

Coincidentemente (ou não), 2021 foi o ano em que o Instagram entrou em "modo de guerra" contra o crescimento assustador do TikTok. Eles haviam lançado o Reels recentemente e o algoritmo passou a entregar vídeos curtos com um alcance absurdo para tentar segurar os usuários na plataforma.

Eu uni a minha necessidade de recomeço com a maior oportunidade técnica que a plataforma já havia oferecido. Decidi profissionalizar o Piauí Meu Amor de vez.

Para vender sem parecer que eu estava empurrando um produto goela abaixo, desenvolvi uma técnica baseada em pertencimento. Eu abandonei qualquer tom robotizado. Minha regra era: a publicidade tem que parecer uma dica pessoal. Passei a criar roteiros com ganchos fortes sobre o Piauí, mostrando lugares e objetos que despertavam a memória afetiva de qualquer piauiense. Se eu fosse anunciar uma pousada ou um restaurante, o foco não era o preço, era a experiência de estar ali, a valorização da nossa terra.

Com a chegada e a consolidação dos vídeos curtos, ganhei a liberdade criativa que precisava para dar vida a esses roteiros. O mercado notou o profissionalismo. O alcance explodiu, as marcas se conectaram, e o Gláuber advogado deu espaço definitivo ao Gláuber estrategista digital.

O estalo definitivo foi entender que a atenção é o petróleo do século 21. Eu não precisava de uma loja física, não precisava de estoque. Quando você constrói uma comunidade que confia no seu olhar — e quando você domina a linguagem da plataforma em que atua (passando da foto para o vídeo no momento exato em que o algoritmo exige isso) —, você constrói um negócio blindado. A transição não foi sobre mudar de carreira, foi sobre assumir quem eu realmente era e usar as ferramentas digitais para monetizar essa paixão.

Lições Práticas

Para você que quer atrair parcerias e começar a monetizar o seu perfil hoje, entenda como aplicar essa mentalidade:

  1. A Publi Perfeita é Invisível: Nunca faça um vídeo parecendo um panfleto de supermercado. A publicidade precisa estar embalada em um conteúdo que a sua audiência consumiria de graça. Se você vende comida, não poste só a foto do prato; conte a história de quem preparou ou a sensação de dar a primeira mordida.

  2. Adapte-se ou Morra: Eu comecei desenhando tirinhas no Facebook, fui para fotos no Instagram, e depois mergulhei nos vídeos curtos. Hoje, em 2026, quem não entende de retenção de vídeo e do uso de Inteligência Artificial para roteirizar e escalar a produção, fica para trás. Você precisa dançar a música que o algoritmo está tocando.

  3. Venda Pertencimento: As pessoas compram de quem elas confiam e de quem elas sentem que faz parte da "tribo" delas. Use a cultura da sua cidade, o seu sotaque e as suas vivências a seu favor. Isso não é falta de profissionalismo, é o seu maior diferencial de mercado.

Capítulo 07
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Capítulo 6: O Despertar Digital

Nós crescemos ouvindo um roteiro muito bem definido, quase engessado, sobre o que significa "ter sucesso" na vida. O script tradicional dizia que você precisava estudar muito, passar no vestibular, pegar um diploma tradicional, bater ponto em um escritório de segunda a sexta e torcer para se aposentar com alguma dignidade.

Eu segui esse roteiro à risca. Quando peguei meu diploma de Direito na UESPI em 2010, eu achava que a minha vida estava traçada. A advocacia era um caminho seguro, respeitado. Mas, como você viu nas páginas anteriores, o roteiro tradicional tem um problema grave: ele não garante realização pessoal e, muitas vezes, limita o seu teto de crescimento.

O que eu quero te mostrar neste capítulo não é que o estudo tradicional não tem valor. Ele tem, e a faculdade me deu uma base argumentativa fundamental. O que eu quero jogar na sua cara é que o monopólio do sucesso acabou. A internet democratizou o acesso à liberdade geográfica, financeira e criativa de um jeito que nunca vimos na história da humanidade.

Se você está lendo este livro e acha que a minha história com o Piauí Meu Amor é um golpe de sorte isolado, eu te convido a olhar para o mundo real. O Brasil está cheio de exemplos de pessoas que começaram com muito menos do que você tem nas mãos agora e construíram impérios.

Pense no Carlinhos Maia. Ele não começou em um estúdio de vidro em São Paulo. Ele começou filmando a própria vizinhança, uma vila humilde na cidade de Penedo, no interior de Alagoas, mostrando a realidade nua e crua dos seus vizinhos com muito humor. Hoje, ele é dono de banco, de franquias e movimenta milhões.

Olhe para o fenômeno do Luva de Pedreiro (Iran Ferreira). Um garoto no interior da Bahia que só tinha um campo de terra batida, uma bola murcha e um celular com a tela trincada. Ele não precisou de equipamentos de cinema para atrair a atenção do mundo inteiro e virar garoto propaganda de marcas globais de esporte. Trazendo para o nosso Piauí, veja o caso da Elana Valenária, que lá de Bom Jesus, mostrando a sua rotina simples no sertão e a paixão pela dança, conquistou o país muito antes de pisar em qualquer programa de televisão.

O que essas pessoas têm em comum com a minha trajetória e o que você precisa entender de uma vez por todas? A atenção humana é o novo imóvel de luxo.

No passado, para você abrir um negócio de sucesso, você precisava alugar um ponto comercial caríssimo na avenida mais movimentada de Teresina. Você tinha que pagar aluguel, IPTU, reforma, letreiro. Hoje, em 2026, a avenida mais movimentada do mundo está na tela do celular.

Quando eu estruturei a Gláuber Uchôa Negócios Digitais, fiz questão de formalizá-la como uma Microempresa (ME). Eu não sou um "blogueirinho" brincando com a internet; eu sou dono de uma empresa real, que paga impostos, gera valor e negocia contratos, mas operando 100% no ecossistema digital. Eu não pago o aluguel de uma loja física para mostrar o meu trabalho. O meu "ponto comercial" tem dezenas de milhares de pessoas passando por ele todos os dias através do perfil.

A parte mais fascinante disso tudo é que você hoje é a sua própria emissora de TV.

Há alguns anos, se quiséssemos mostrar as belezas da Serra da Capivara, as riquezas históricas de Oeiras ou o nosso litoral de Luís Correia para o Brasil, dependíamos da boa vontade de uma grande rede de televisão enviar uma equipe de reportagem para cá. Hoje, o poder mudou de mãos. Um perfil criado por um apaixonado pela sua terra se torna um veículo de comunicação independente, muitas vezes mais rápido e influente do que as mídias tradicionais.

Se você é apaixonado por gastronomia, por moda, por carros, ou se você é um dentista, um arquiteto ou dono de uma padaria de bairro: você não precisa mais pedir permissão para ninguém para ser visto. O sinal está aberto. O equipamento de transmissão você já comprou, é esse aparelho onde você provavelmente está lendo este texto agora.

A maior desculpa que eu ouço das pessoas é a ilusão de que "já é tarde demais" ou de que "o mercado está saturado". Mentira. O mercado está saturado de pessoas fazendo o óbvio, entregando conteúdos sem alma. Mas existe um oceano azul gigantesco para quem tem coragem de colocar a própria essência no jogo.

Você pode continuar consumindo o roteiro dos outros pelo resto da vida, rolando a tela infinitamente e ajudando a pagar os boletos de outros criadores com a sua atenção. Ou você pode decidir, a partir da próxima página, virar a câmera para você e começar a escrever a sua própria história.

Pense assim: investir no digital não é sobre querer ser famoso; é sobre sobrevivência mercadológica e liberdade. Se o seu negócio, a sua habilidade ou a sua paixão não existem na internet, eles praticamente não existem no mundo real. O digital não é mais o futuro, é o presente mais urgente que existe.

Capítulo 08
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Capítulo 7: Como Sair do Zero

Se você chegou até aqui, já conhece a minha história, os meus tropeços e as minhas vitórias. Mas eu sei exatamente o que passa pela sua cabeça agora. Você olha para o Piauí Meu Amor, vê as publis, as viagens, os números, e pensa: "Gláuber, isso é lindo para você que já tem nome. Mas e eu? Por onde eu começo?"

Eu vou te pegar pela mão agora. Imagine que estamos sentados tomando uma cajuína gelada e você está me fazendo as perguntas mais difíceis sobre como dar o primeiro passo. Aqui estão as verdades cruas que ninguém te conta.

1. A Barreira do Julgamento (Ou: "Quem paga os seus boletos?")

Ter medo e pânico de ligar a câmera faz parte do jogo. Eu te entendo perfeitamente. Imagine a minha situação: eu era um advogado, com mais de 10 anos de experiência nas costas. Todos nós sabemos o peso que o título de "Doutor" e o terno têm para a nossa sociedade. De repente, decidi virar a pessoa que vive de internet.

Não foi nada fácil. O medo de virar piada ou de ser julgado pelos colegas de profissão bateu forte. Mas o que me moveu a ligar o "foda-se" foi um sentimento muito maior: eu queria trabalhar com algo que me fizesse genuinamente bem. Sabe aquela sensação de que você nasceu para fazer uma determinada coisa? Pois é. O Direito me deu muito, mas a criação de conteúdo me dava vida.

Eu percebi que precisava correr atrás dos meus próprios sonhos. Se eu ficasse terceirizando a culpa por não começar — "ah, não vou gravar porque fulano vai rir" —, eu nunca sairia do lugar. No fim do mês, quando os boletos chegam, ninguém bate na sua porta para pagar as suas contas. Ninguém vai assumir a dor de passar a vida inteira frustrado por não ter tentado. A bucha seria inteiramente minha.

E quer saber o maior segredo do início? No fundo, as pessoas nem ligam para você. No começo, você é invisível. Quando as pessoas finalmente começarem a notar o que você está fazendo e vierem comentar, é porque você já se destacou. E quando esse momento chegar, os benefícios, o reconhecimento e o dinheiro que você estará ganhando serão mais do que suficientes para blindar a sua mente contra qualquer crítica.

2. A Busca Pela Ideia Perfeita

Não tente reinventar a roda e não force a barra para falar de um assunto que você detesta só porque dizem que "dá dinheiro". Se você vai encarar a jornada de ser constante na internet, precisa ser com algo que você se identifica.

A melhor maneira de achar o seu nicho é ser um observador do seu próprio consumo. Anote o que você gosta de assistir. Você passa horas vendo vídeos de humor? Gosta de dicas de livros? É viciado em vídeos de cultura e turismo como os do Piauí Meu Amor? Pegue essas referências. Olhe para as pessoas que já são sucesso nesses formatos e se pergunte: "Eu me enxergaria fazendo algo parecido e ficando feliz com isso?" Se a resposta for sim, você encontrou o seu caminho.

3. A Ilusão do Equipamento Perfeito

Hoje eu possuo uma estrutura de respeito. Gravo com um Samsung S24 Ultra, uso drone, microfones profissionais, tripés. Mas adivinha como eu comecei? Com um Motorola antigo que mal aguentava o tranco.

Existe um mantra que guia a minha vida e que você precisa tatuar na sua mente: Feito é melhor que perfeito. A perfeição não existe. Nós estamos sempre aprendendo e evoluindo, e é fazendo que isso acontece.

Se você só tem um celular básico, comece com ele hoje. Em 2026, os algoritmos do Instagram e do TikTok valorizam absurdamente o "tempo de tela" e a retenção. O que prende a atenção das pessoas não é uma imagem de cinema, mas a sinceridade que você entrega, a sua narrativa e a sua frequência.

Porém, um alerta: não é porque o seu celular é básico que você vai fazer o trabalho de qualquer jeito. Você precisa se esforçar, estudar iluminação natural (ficar de frente para uma janela já muda tudo), aprender a limpar a lente do celular antes de gravar e entender o jogo das plataformas. Isso é tempo de tela, e o YouTube está cheio de tutoriais gratuitos para quem tem fome de aprender.

4. A Fábrica de Ideias e a Inteligência Artificial

A maior dor de quem começa é: "O que eu vou postar amanhã?" Eu uso um método simples e infinito para não ficar sem ideias. Eu treino o algoritmo a meu favor.

Eu abro a aba "Explorar" do Instagram e consumo intensamente conteúdos sobre turismo, cultura e viagens. Curto, comento e assisto até o fim. Rapidamente, a plataforma entende o meu padrão e começa a me recomendar uma enxurrada de vídeos brilhantes de outros criadores pelo mundo. Quando vejo algo genial, salvo em pastas temáticas dentro do próprio Instagram ("Áudios Virais", "Narrativas Incríveis", "Transições Legais"). Quando preciso de uma ideia, abro minha pasta, adapto a essência do vídeo para o meu conteúdo e gravo.

Nota do Editor: Inserir aqui um print das suas pastas de "Salvos" no Instagram para mostrar como você organiza as referências.

Isso funciona perfeitamente para vídeos. Mas e para os posts no formato carrossel, que educam e retêm a audiência?

Aqui entra o grande diferencial para quem quer escalar hoje. Eu entendi que não dava para fazer tudo na mão, então criei a minha própria solução tecnológica: o Carrossel Viral Lab. É uma ferramenta baseada em inteligência artificial que eu mesmo desenvolvi. Com poucos cliques, eu jogo um link de um vídeo do YouTube, uma notícia de blog ou até um arquivo PDF dentro do sistema, e a IA faz a mágica. Ela gera o roteiro, cria os textos persuasivos e monta todos os slides do carrossel automaticamente. Eu só baixo e posto.

Se você quer jogar o jogo de 2026 sem virar escravo do celular, você precisa automatizar a parte técnica para focar na parte criativa. (Inclusive, quem quiser conhecer a ferramenta e economizar horas de trabalho, o link está aqui: [Link para o Carrossel Viral Lab]).

5. O Dinheiro na Mesa: Como Conseguir o Primeiro Cliente

Esqueça essa ideia de criar um perfil hoje e amanhã sair mandando mensagem pedindo patrocínio para a pizzaria do bairro. No início, a sua melhor estratégia de vendas é não vender. Apenas faça.

Eu cansei de ir a restaurantes ou hotéis bacanas, pagar a conta do meu próprio bolso como qualquer cliente comum, e gravar um vídeo incrível dando dicas daquele lugar. Eu editava com carinho e postava. A pessoa que está do outro lado da tela assistindo não sabe se eu fui pago para estar ali. O dono do restaurante concorrente também não sabe.

Quando você faz um trabalho de qualidade genuína, ele atua como um ímã. O dono do lugar que você fez o vídeo de graça vai ver, vai amar e, muitas vezes, vai te perguntar: "Gláuber, como funciona para você vir gravar um vídeo oficial pra gente?" O seu início serve para construir o seu portfólio. Para facilitar, deixe o caminho aberto: coloque na sua biografia e na legenda dos vídeos uma frase simples como "Para parcerias, me mande um Oi no direct". Quando os primeiros interessados chegarem, não tenha ganância. Cobre 50, 100 reais. O objetivo agora não é ficar rico, é ganhar volume, ter marcas no seu currículo e criar a coragem de cobrar. Quando a sua agenda começar a encher, você sobe o seu preço naturalmente.

6. O Sabor Amargo do "Não" (A ilusão do caminho fácil) Se alguém te disse que viver de internet é só gravar videozinho e ficar rico, mentiram para você. É difícil. Muito difícil. A frustração vai bater na sua porta várias vezes. Você vai passar horas editando um vídeo que você tem certeza que vai viralizar, e ele vai flopar miseravelmente. E mais: você vai ouvir muitos "nãos".

Até hoje, mesmo com toda a audiência do Piauí Meu Amor, quando eu vou apresentar um projeto grande para captar patrocínio ou tentar aprovar iniciativas culturais maiores, eu ainda tomo portas na cara. Os nãos fazem parte do jogo de quem está no campo de batalha. Não leve para o lado pessoal. Cada "não" de uma marca ou de um cliente no início é apenas um recálculo de rota. Engula o ego, ajuste a proposta e vá para a próxima.

7. O Cemitério das Duas Semanas (O segredo da constância) A internet está cheia do que eu chamo de "O Cemitério das Duas Semanas". São perfis de pessoas que começaram super empolgadas, postaram todos os dias na primeira semana, viram que o Instagram entregou os vídeos para apenas 30 pessoas, desanimaram e nunca mais postaram nada.

O algoritmo não te odeia, ele só está testando se você é profissional ou se é só um turista. Ninguém constrói uma vitrine de sucesso abrindo a loja apenas quando está com vontade. Se você decidiu que vai postar três vezes na semana, poste três vezes na semana, mesmo que só a sua mãe e o seu melhor amigo curtam no início. A constância vence o talento na internet.

8. Ninguém Cresce Sozinho (O Poder do Networking) Existe um mito do "lobo solitário" na internet, mas a verdade é que as maiores explosões de crescimento vêm através de conexões. Não olhe para outros criadores da sua cidade ou do seu nicho como concorrentes; olhe como parceiros em potencial.

Quando você divide a tela com alguém, faz uma colaboração ou até mesmo um podcast, você está cruzando audiências. A internet é sobre comunidade. Tenha pessoas boas ao seu lado, seja para somar na frente das câmeras ou para te ajudar nos bastidores técnicos. Quem tenta abraçar o mundo sozinho acaba esgotado.

9. A Mentalidade de CNPJ (Organize a casa desde o dia zero) Se você quer que as marcas te paguem como um profissional, você precisa agir como um. Muitas pessoas começam a ganhar seus primeiros 100, 500, 1000 reais com publis e gastam tudo no final de semana. Erro fatal.

Separe o seu dinheiro pessoal do dinheiro do seu projeto. Mesmo que você ainda não tenha uma empresa formal aberta, tenha a mentalidade de uma Microempresa. O que entra de parceria deve ser reinvestido em você: seja para pagar um sistema de Inteligência Artificial que otimize seu tempo, comprar um microfone de lapela melhor ou guardar para abrir o seu CNPJ no futuro. Tenha tudo na ponta do lápis, e se as coisas começarem a crescer, não hesite em ter um bom contador ao seu lado. O amadorismo custa caro.


10. Case com a Mensagem, Divorcie-se do Formato Eu comecei fazendo tirinhas de humor no Facebook. Hoje, atuo forte no Instagram com Reels e Carrosséis. Amanhã, o formato pode ser outro totalmente diferente. A maior burrice de um criador é se apegar ao formato e morrer abraçado com ele.

A minha mensagem sempre foi a mesma: exaltar a cultura e o turismo do Piauí. Isso é inegociável. Mas o como eu entrego isso precisa mudar conforme a banda toca. Se o mercado pede vídeos curtos, eu gravo vídeos curtos. Se o mercado migrar para áudio, eu estarei lá falando. A sua essência não muda, mas a sua embalagem precisa se adaptar às regras de 2026. Esteja sempre com o radar ligado.

Capítulo 09
Capítulo 09 de 09

Conclusão

Quando eu olho para trás e lembro daquele garoto magricela gravando vídeos de piauiês numa parede rebocada que parecia o fundo de uma escola, me bate um filme na cabeça. Naquela época, quando o Whindersson Nunes vestiu a nossa primeira camiseta da Cangaço, nós achávamos que já tínhamos chegado ao topo. Nós não fazíamos ideia de que aquilo era apenas o degrau mais baixo da escada.

Hoje, a realidade do Piauí Meu Amor é outra. Aquele perfil que nasceu como um "prêmio de consolação" se transformou em uma empresa sólida, respeitada e com um impacto real na economia do nosso estado. Nós ainda temos nossas parcerias com pequenos e médios empreendedores, aliás, adoro isso, mas começamos também a jogar outro jogo e a sentar à mesa com gestores públicos.

O ápice dessa maturidade profissional se reflete hoje. Criamos a websérie Piauí Meu Amor na Estrada, um projeto audacioso que mudou a nossa forma de atuar, e o Piauí Flix, esse exato sistema que você está usando agora.

Passamos a fechar contratos de trabalho diretamente com diversos municípios, entregando um material turístico com qualidade de televisão, mas com a agilidade e o alcance explosivo da internet. E o reconhecimento desse trabalho sério veio da forma mais grandiosa possível: a aprovação do nosso projeto no SIETUR, a lei de incentivo ao turismo do Piauí.

Ter um projeto aprovado para documentar 11 municípios espalhados por 7 polos turísticos diferentes do estado não é apenas uma vitória financeira. É o atestado definitivo de que a internet, quando levada a sério e estruturada como negócio, tem o poder de movimentar a cultura, atrair investimentos e mudar a história de uma região inteira.

Mas se você acha que eu estou satisfeito, você se engana. A inquietude que me tirou do Direito em 2010 ainda ferve aqui dentro. Eu quero ir além. Quero explorar novos formatos, novas plataformas, cruzar fronteiras e continuar provando que o talento nordestino não tem limites.

Eu decidi escrever este livro e expor os meus erros e os meus acertos por um único motivo: provar a você que o sucesso não é um clube fechado.

Se um advogado, dividido entre prazos judiciais e o medo do julgamento, conseguiu transformar o amor pelo seu estado em contratos governamentais usando apenas a criatividade e a internet, o que te impede de fazer o mesmo com a sua paixão?

O celular que você tem no bolso agora é a ferramenta mais democrática que a humanidade já inventou. Ele não liga para o seu sobrenome, para a sua idade ou para a cidade de onde você está gravando. Ele só exige constância, verdade e coragem.

O caminho já está mapeado nestas páginas. As ferramentas estão na sua mão. Os nãos você vai ouvir de qualquer jeito, então que seja tentando construir o seu próprio império.

Aperte o "REC". O mundo está esperando para conhecer a sua história.


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